Então, fiz tudo que meu amor poderia fazer.
Madre Teresa de Calcutá

Que o cansaço não me roube a coragem de mais uma vez e de novo tentar. Que o silêncio que suplica fale sempre mais alto que o egoísmo que insiste em criar espaço e ser o dono do pedaço. E o amanhecer seja tão belo quanto o poente, mesmo quando for inverno na minha alma. E meus braços nunca apartem, do contrário, só alarguem. Que cada página virada aconteça por que não comporta tanta  felicidade e por isso gentilmente convidou a página seguinte para participar da sua alegria. E eu me comova mais vezes com a beleza dos gestos simples e me esqueça com naturalidade das indelicadezas. Que a fonte da minha inspiração sempre sejam os corações fortes que não desistem de lutar. Mas se eles desistirem, que eu possa carregá-los nos ombros. E que nunca, nunca os deixe no meio do caminho. Que as persianas do coração se abram para vislumbrar a fantástica chegada da primavera. E que eu seja desapegada com as folhas que já secas ficaram no chão. Que minha face enrusbeça de contentamento pelo sorriso inesperado e que sobretudo possa o sorriso ser retribuído com um ramalhete de amabilidades. Que eu me esqueça das minhas dores por saber e sentir com aquele que sofre mais do que eu. E que assim eu me lembre que ainda tenho incontáveis motivos para ser feliz. Que ser menos de mim me torne melhor para o outro. E então eu possa reconhecer nele o melhor de mim.

Alice Martins